Perguntas frequentes


  • Você usa a escrita em psicoterapia individual?

    • Sim, quando é pertinente. Há pessoas que me procuram para um trabalho de psicoterapia e têm ou desejam ter a escrita como canal fluido de expressão, de comunicação. Nesses casos, a narrativa ou a leitura de histórias e procedimentos de escrita podem ser, dentre outros recursos, ferramentas psicoterapêuticas.

     
  • Você acha que criar é sempre psicoterapêutico?

    • Depende do que é chamado de criar. Eu diria que o criar é a própria essência da psicoterapia, se o considerarmos como um fazer integrado ao si-mesmo, uma expressão do ser mais autêntico ou, como diria Winnicott, do verdadeiro self. No entanto, uma atividade artística, um trabalho manual ou a escrita de um texto por si sós não garantem que um processo de criação, nesse sentido, esteja em marcha, pois é perfeitamente possível “produzir arte” de forma dissociada.

      Praticamente qualquer atividade pode trazer bem-estar, e isso leva muitas pessoas a dizerem que seu curso de modelagem em argila ou suas aulas de dança são “uma terapia”. Mas para que um processo de transformação pessoal realmente ocorra, faz muita diferença a existência ou não de um embasamento metodológico, a presença ou não de um profissional preparado para dar sustentação emocional à experiência e o ponto de vista a partir do qual cada um a vivencia. Não acho exagero dizer que essas atividades são psicoterapêuticas em alguma medida, já que trazem algum sentido de cura, de melhoria do estado geral. Dependendo da demanda em questão, isso pode ser suficiente para promover o desenvolvimento pessoal. Ou, ao contrário, podem trazer a ilusão de que a pessoa está se cuidando, quando na verdade precisaria de um cuidado mais específico. Além disso, são muito comuns experiências que mobilizam conteúdos emocionais e depois não oferecem o suporte necessário para que eles sejam digeridos, elaborados, integrados. Isso pode não ajudar ou até prejudicar a pessoa.

     
  • Quais são as diferenças e semelhanças entre a Viagem de Letras e um curso de redação tradicional?

    • A Viagem de Letras busca contemplar diversos elementos importantes da capacitação para escrever, incluindo aspectos emocionais da comunicação. Dentro dessa proposta, estilo de escrever e estilo de ser são indissociáveis. Todo o trabalho é feito no sentido de que você não somente aprenda técnicas, mas também se aproprie do seu texto e esteja cada vez mais à vontade com ele, de modo que sua escrita possa fluir. Está em voga não somente o que se escreve, mas também quem escreve: o escrever como um gesto pessoal.

      Há em comum com os cursos de redação a utilização de técnicas de escrita e criatividade, de planejamento de ideias para os textos que se quer redigir, há também leitura de textos literários. Em alguns formatos de oficina, discutem-se os elementos da narrativa, a criação de personagens, trabalha-se a edição coletiva e individual de textos etc.

     
  • Qual é, resumidamente, o principal objetivo da oficina?

    • Proporcionar oportunidades e recursos para que os viageiros de letras criem/encontrem e desenvolvam seu estilo de escrever como expressão de seu estilo de ser. Em outras palavras: ajudá-los a desenvolver a capacidade de escrever integrada ao si-mesmo (e não como competência dissociada) e de tal forma que seus textos possam ser produzidos com mais prazer, ou menos sofrimento.

     
  • Uma pessoa que já está num processo psicoterapêutico pode fazer uma Viagem de Letras?

    • Sim. É frequente uma pessoa realizar os dois percursos em paralelo, em cooperação mútua, um incrementando o outro.