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História

Foi assim: ainda na graduação em psicologia, comecei a fazer parte do LaPp –  Laboratório de Psicopedagogia do IPUSP, coordenado pelo professor Lino de Macedo. Estudávamos a articulação entre jogos de regras, construtivismo e a epistemologia genética de Jean Piaget. Lembro-me com saudade daqueles encontros, do prazer de enfrentar os desafios de cada jogo, descobrir seus truques, pensar em como poderiam ser usados para o desenvolvimento do pensamento lógico, para a aprendizagem de matemática, língua portuguesa.

Quando começamos a dar cursos para professores, senti certo desconforto. Como falar a educadores experientes sem nunca ter sido responsável por uma sala de aula cheia de crianças? Fui então buscar estágio numa escola. Isso em 1993.

Grande era minha expectativa quando subi os dois lances de escada que davam acesso à sala da antiga quarta série (atual quinto ano) que eu acompanharia. Será que eu saberia lidar com as crianças? A professora me recebeu sorridente e explicou que os alunos se dividiriam em grupos para conversar sobre suas redações. Que boa surpresa! Justo a escrita, antiga querida minha… aquilo era um bom começo.

Depois de um mês, tornei-me professora auxiliar. Nessa função, deveria criar um projeto numa área de meu interesse. Não tive dúvida: só podia ser algo ligado a ler e escrever. Então desenvolvi minha primeiríssima oficina de escrita criativa, que pus em prática com uma turma do primeiro ano. Os resultados foram muito interessantes.

Pronto: tinha começado a brotar a semente do mestrado que iniciei no ano seguinte no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP), com orientação do professor Lino de Macedo. A pesquisa de campo foi uma oficina de redação e criatividade para seis crianças com idade entre 8 e 11 anos: o primeiro formato da Viagem de Letras (1995).

Em 1999 nasceu o nome Viagem de Letras e a oficina A Percepção e a Palavra: a primeira de muitas voltadas a grupos de adolescentes e adultos.

A partir de 2000 desenvolvi várias outras oficinas, com diferentes temáticas e cargas horárias: uma a duas horas, um ou dois dias, diversos encontros semanais durante alguns meses. Reuni grupos em espaços privados, como consultórios e salões de eventos, e também levei a Viagem de Letras a algumas instituições, como SESC Pompeia, Universidade de Uberaba, Biblioteca São Paulo, Instituto Sedes Sapientiae, Fundação Tide Setúbal, Universidade de São Paulo (USP). Em 2002 iniciei a oficina que foi pesquisa de campo do doutorado, defendido em 2004 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

A investigação sobre as bases teóricas da Viagem de Letras teve continuidade por dez anos na Ser e Fazer – Oficinas Psicoterapêuticas de Criação, no IPUSP. Em parceria com a coordenadora do grupo, Tania Aiello-Vaisberg, delineei num artigo publicado na Revista Paideia os contornos do que nomeamos Enquadre Clínico para Desenvolvimento de Capacidades. Com base na Viagem de Letras, voltada à escrita, esse enquadre vem sendo aplicado a diversos outros fazeres.

Já que investigar é preciso, esse exercício prossegue na mesma instituição, junto à professora Ivonise Motta, interessada em pesquisar modalidades clínicas diferenciadas, tanto no atendimento psicológico em consultório como no ensino acadêmico.

Ao longo de toda essa trajetória, vêm acontecendo também diversas oficinas sob medida, que se desenvolvem a partir de demandas específicas.

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